domingo, 21 de junho de 2015

Dissociação

Cena do filme "A Origem" de Christopher Nolan

Eu preciso ir embora

Não sei o que farei
Nem o caminho a seguir
Só sei que preciso ir.

Deixo algumas lembranças na esquina
E levo outras para me torturar
Você vai acordar e, ao certo, lamentar
A minha ausência repentina.

Sinto o desmoronamento
O momento se partindo
Nossa história ruindo
E o amanhecer do pensamento.

Você era a cura
Para minha decadência
Mas, também, a loucura
da minha (in)consciência.

Na dúvida da sua existência 
Preciso abraçar a coerência
Porém, devo dizer 
Antes de partir
Que a ilusão de te sentir
Foi o melhor sentimento 
Que já tive.


Por Vitor Costa

"Antes de ir embora eu preciso dizer que..." foi o tema proposto do Projeto Literário 16on16 para esse mês, ao qual, com imensa satisfação, faço parte. Confira os textos dos outros participantes:  ArianaBárbaraCamyliFernandaGhiovanaLianneLysMáiraMariNicolleThaísAlexandre

19 comentários:

  1. É possível perceber/receber os sentimentos (e mesma a loucura) do eu-lírico de um jeito muito legal...! A melhor parte: ora eu interpretei seus versos como se referindo a um personagem que, para o protagonista, de fato existiu, ora entendi tudo como fruto de uma obsessão pela ilusão proporcionada por devaneios e sonhos. Falando em sonhos: "A Origem" é um filme sensacional! Um dos melhores aos quais assisti ultimamente...

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    1. Muito interessante a sua interpretação Lari, essa ambiguidade foi proposital mesmo, sempre gosto de tirar o leitor da zona de conforto.
      Eu também gosto do filme, embora eu acredite que o universo dos sonhos seja tão factível assim como o filme mostra, dentro da sua proposta ele é muito bem estruturado e repleto de cenas memoráveis.
      Beijos!

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  2. O título do poema levou-me as aulas de química: dissociação das moléculas, uma tornando-se duas. Leva-me também aos filósofos antigos, dizendo que Deus, ao criar o mundo o escravizou. Já Cristo, no cristianismo, que mudou a forma de se olhar para muitas questões da vida, diz que ao criar esse mundo, Deus o libertou.
    Fico com aquela famosa frase do “Aceitar todas as coisas é um exercício, mas compreender todas as coisas é um frenesi.” Sim, porque aceitar (apesar de ser um exercício diário de humildade diante da coisas sem sentido ou explicação) é muito melhor (e dá paz) do que viver tentando compreender tudo... tentando achar resposta e explicação pra tudo.
    O filme citado em fotografia é uma imagem que vai bem a calhar com o poema, já que a película conta a vida de dois seres que acabaram unidos porque um preferiu encarar uma "viagem virtual" como realidade e o outro porque se sentiu culpado por ter "criado" este mundo.

    Em todo caso, que na vida, possamos cantar algo bastante condizente da trilha sonora da película citada: Non, Je Ne Regrette Rien
    Meu Olá
    =)

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    1. Sempre instigantes e ricas as suas interpretações Priscila. Você sempre demonstra muito conhecimento cultural e filosófico. E a relação que criou entre o filme e o texto foi brilhante.

      Muito bonita e verdadeira essa canção né

      Beijos

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  3. Nesse mundo frio, concreto, de coisas estáveis, lineares, muito iguais, definitivas... Uma ilusão sacode a poeira dos dias iguais. Embora passageira, nem sempre reais, mas estamos sempre apostando. Não da pra racionalizar a emoção, se vive ou não. Abraços.

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    1. Muito sapiente o seu comentário Fábio. Concordo plenamente, embora saibamos da vulnerabilidade das ilusões, estamos sempre apostando em algo mais, em sonhos que nos proporcionam esperança na vida. Isso é sentimento puro.
      Abraços!

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  4. Ir embora, as vezes, é a melhor decisão que podemos tomar.
    Lindo texto.
    bjo

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    1. Obrigado Ariana, concordo contigo!

      Beijos.

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  5. ao menos é um adeus que parece ter dado tempo de despedida. Difícil são aquelas silenciosas :(

    beijo
    beinghellz.blogspot.com

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    1. Pois é Hellz, essas machucam demais.

      Beijos

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  6. Tenho te lido há algum tempo, não só aqui no blog, mas no face, e tô te reconhecendo diferente, mas ao mesmo tempo igual.
    Teus escritos estão voltando a ser sobre amor platônico, não correspondido, mal vivido, triste.
    Desculpa o egoísmo, mas quanto mais tristes, mais geniais as tuas rimas, frases, metáforas, enfim, teus textos, ficam. Você é foda.

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    1. Obrigado Carol!!! Sempre é um alento enorme ler seus comentários!!! Acho que você me definiu bem: "tô te reconhecendo diferente, mas ao mesmo tempo igual."

      Às vezes bate um sentimento inoportuno de um romantismo que já não me envolve como antes.

      Beijos

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  7. Olá amg,

    Poxa, faz uns dias que não passo aqui rs curto muito ler suas palavras. A Origem ornou bem com todo o texto, ao menos da maneira que eu interpretei a necessidade da (des)construção. Ainda tento entender se de fato é um adeus à um ser físico ou um devaneio.

    Passe bem, man LOL

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    1. Obrigado Washington, fico feliz que tenha apreciado o texto.

      A Origem foi o filme que logo me veio à cabeça enquanto pensava na poesia rs

      Abração!

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  8. Que delírio profundo, por favor, não diga-me que essas palavras são destinadas a alguém, pois em certos momentos senti as palavras tão jogadas ao íntimo, que pareceu mesmo um delírio.

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    1. Pode ser que sim e pode ser que não rsrs

      De qualquer forma, agradeço muito a sua visita ;-)

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